Transtorno de Ansiedade de Separação

Os transtornos da ansiedade são provavelmente a psicopatologia mais comum na juventude, com uma prevalência estimada entre os 5% e os 25% a nível mundial e apenas uma percentagem menor recebe tratamento. O transtorno de ansiedade de separação (TAS) determina aproximadamente metade dos encaminhamentos por transtorno de ansiedade.

Segundo a Associação Americana de Psicologia (APA) o transtorno de ansiedade de separação é caraterizado por uma reação anormal a uma separação de um ente próximo. Separação esta que pode ser real ou imaginária, e que interfere significativamente nas atividades diárias e no desenvolvimento do individuo.

O TAS pode causar muito sofrimento e prejuízo, além de poder levar a várias consequências psicossociais, e é preditivo de transtornos psiquiátricos adultos, em especial o transtorno de pânico.


Existem três caraterísticas chave:

  • Medos excessivos e persistentes ou preocupações antes e no momento da separação;

  • Sintomas comportamentais e somáticos antes, durante e depois da separação;

  • Evitação persistente ou tentativas de escapar da situação de separação.


Nas crianças, os sintomas comportamentais incluem:


– O choro;

– Agarrar-se aos pais;

– Queixas sobre a separação e;

– Chamar pelos pais depois de terem partido.


Os sintomas físicos (são semelhantes aos de um ataque de pânico ou transtorno de somatização):


– Dores de cabeça;

– Dor abdominal;

– Desmaios;

– Vertigens e tonturas;

– Dificuldades em dormir;

– Pesadelos;

– Náuseas e vómitos;

– Cãibras e dores musculares;

– Palpitações e dor torácica.


A origem do TAS (transtorno de ansiedade de separação) é complexa, estudos demonstram que ambos fatores biológicos (ex. genéticos, psicológicos, neurológicos) e ambientais (ex. relacionados com a família, experiências precoces, caraterísticas do temperamento da criança, relacionados com a escola) exercem um papel:


Genéticos: crianças com pais ansiosos têm 5 vezes mais probabilidade de apresentar um transtorno de ansiedade;


Psicológicos: processos de condicionamento ao medo;


Relacionados com a família: baixo calor emocional parental, comportamentos parentais que desencorajam a autonomia da criança; pais superprotetores, apego inseguro (acima de tudo com a mãe); discórdia parental; separação ou divórcio, doença física em um dos pais, transtorno mental em um dos pais (principalmente de pânico ou depressão major), pai egocêntrico (narcisista) ou imaturo, instável ou com comportamentos antissociais;


Experiências precoces: eventos stressantes da vida; envolvimento em um desastre ou crime; exposição à violência doméstica, desemprego dos pais, nascimento de um irmão;

Caraterísticas e temperamento da criança: inibição comportamental reflete tendência para demonstrar medo e retirada em situações não familiares que a criança tenta evitar, introversão e timidez, medo de falhar, baixa tolerância à humilhação, depressão e género (tendência do sexo feminino apresentar transtornos de ansiedade);


Relacionados à escola: sofrer bullying, falha em apresentar um nível esperados em provas de desporto ou atividades académicas.


O Transtorno de Ansiedade de Separação é um quadro sério que exige grande atenção do psicólogo. Nos casos mais comuns, com crianças e adolescentes, o trabalho precisa ser feito em conjunto com os pais para que o seu paciente consiga desenvolver sua independência e os pais aprendam as melhores formas de estabelecer um vínculo de confiança.



REFERÊNCIAS

https://wecareon.com/blog/transtorno-de-ansiedade-de-separacao/ - acessado em 10/04/2021


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